terça-feira, 22 de junho de 2010

Ouvi dizer por ai que tu está voltando. Não pra mim, para a cidade, porque de mim, pra falar a verdade, tu nunca saiu, vejo teus vestígios nessas 4 paredes o tempo todo. O lado da cama que tu deitava, o peixe que tu me deu, tuas fotos no painel, o lugar onde tu deixava teu tênis, o barulho irritante que você fazia mexendo na cabeceira da minha cama com os pés, o jeito que tu me beijava rápido, escondido, tua cara de insatisfação quando eu sentava na frente do computador, e o jeito que tu me abraçava por tras para ler o que eu tanto digitava quando eu me recusava a sair da cadeira.
Essas coisas não me deixam, tu não me deixa, mas teu cheiro me deixou. Não vem me visitar nem nos sonhos, nem na pele de outra pessoa, nem no ar, não o sinto em lugar algum.
Ando te esperando, é só o que faço, te esperando para que tu voltes ao menos para me devolver teu cheiro que eu achei que pertencia a mim.

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